A ignorância vem pela janela.

Relendo Titãs: “A Televisão me deixou burro, muito burro demais”. Embalei-me com esse rock na adolescência e agora, numa capacitação, sala cheia e muitas reclamações sobre fazer as tarefas usando o Open Office, lembrei-me dessa música e pensei: “Como a Janela deixa as pessoas burras!” E preguiçosas! A mídia te vende luxo, preguiça e lei do menor esforço. Leia bem o que eu disse: VENDE. E aí pergunto: você quer ou tem como pagar por isso? Você DE FATO sabe que possui opções de escolha? Que existem mais prazeres além de consumir? Que produzir também é um prazer? ADORO trabalhar colaborativamente. A ideia do trabalho em equipe me fascina. Mas confesso que algumas pessoas não me atraem para a colaboração produtiva: são aquelas que sempre tem uma reclamação pronta na ponta da língua e uma desculpa verdadeira, bem cinza (estou aprendendo isso num curso de formação de lideranças) prontinha para ser usada. Gente, não sou mesmo desse mundo… Nada mais a declarar, tenho que terminar o trabalho do dia. Sozinha… uma pena.

Filosofando e Cutucando

O software livre na educação não é algo somente recomendável: é fundamental em sua essência! Se partirmos do princípio constitucional de que a educação é um direito de todos, assim como o seu acesso a ela, não vejo outra forma de integrar educação e tecnologias na educação pública e de qualidade sem a utilização plena e irrestrita dos Softwares Livres.

Passamos, há mais de meio século, por uma crise na educação: entram e saem novos pedagogos, novas propostas e pouca coisa sai do campo experimental e passa a práxis. A chegada das novas tecnologias não trouxe muita diferença na maneira de ensinar não mudou muito o padrão: a tese da repetição e da educação bancária encontra-se de tal forma arraigada no professor que ele apenas “enfeita” a mão única de ensinar com slides e computadores. Vocês já assistiram “Tecnologia ou Metodologia?”?

Fácil adivinhar o que você pensou agora: Os responsáveis são os professores! Acertei, não é? Ora, não é momento de procurar culpados… deixem o professor quieto! É SUA a responsabilidade projetar a luz do conhecimento sobre todos. Aluno (de “sem luz”) não é só o cara que senta diante de você nas carteiras da escola! Na concepção ideológica, todos são mestres e todos “alunos”. Assim, dê alternativas de escolha ao seu colega: professor, amigo, vizinho, doutrinado pelo consumo e pela propriedade, incapaz de criar colaborativamente pois ainda carrega consigo a cadeira da Universidade (bem grudada você sabe onde!) ou o total desconhecimento do mundo livre. Divida com ele o seu prazer pelo aprender uma coisa nova, um software novo, o prazer da colaboração produtiva!

Recentemente um colega comentou no FISL11 sobre uma palestra em que outro, da área técnica, dizia que os professores “são muito velhos, não conseguem aprender” quando falava do “treinamento” para o uso das tecnologias educacionais. Um outro dizia que a criança “já nasce com a tecnologia no código genético”(este eu mesma ouvi). Tais informações são muito perigosas uma vez que rotulam uma espécie que, detentora da capacidade de raciocinar, é muito mais adaptável que outras às modificações do ambiente, por isso chegou a este patamar evolutivo. Responsabilizar a idade ou a genética chega parecer tolo aos olhos de qualquer pessoa que entenda minimamente de evolução. Aceitar a idade como impedimento ao processo de aprendizagem seria negar o sucesso descarado de todos os projetos de formação de Jovens e Adultos (eu mesma estou neste setor). Na falta de desculpas, ou por medo de colocar seu nome na baila quando criticar políticas públicas de educação e ainda por medo de dizer que não sabe sobre o assunto, erros crassos como estes vem sendo cometidos.

A educação transformadora e libertadora ultrapassa o brilhantismo de Paulo Freire, o mais humilde pedagogo que conheci (sim, tive a honra de conhecê-lo!). Ela transita pelos caminhos da ideologia, da política, assim como da moral ética. Apenas a partir da construção do indivíduo como ser político, ideológico e dono de valores éticos reais é que a educação será transformada. Para isso, não basta impor o SL como alternativa de liberdade ou exigir que o cara carregue suas compras em caixas de papelão: é necessário que ele “sinta” essa necessidade. Mas como fazê-lo sentir?

Filosofando, meu caro, filosofando. Filosofia não é para geeks e nerds, é para todos. O que falta é popularizar a filosofia, como fez brilhantemente Alexandre Oliva em sua palestra “Sexo, Drogas, Rock’n roll e Software Livre”, no FISL 11.

O cara que acusou nossos mestres de serem incapazes de aprender porque são velhos matou as aulas de filosofia na faculdade (de certa forma, até concordo, visto que a filosofia que eles ensinam lá é realmente chata!) e se protege do mundo real na Academia, zona de conforto de muita gente: “eu sei, você não sabe, então deixa que eu te ensino mas não sei se você será capaz de aprender!”

A propósito, usando a mesma ótica Freireana, posso responder ao meu outro colega sobre a “genética da facilidade com as tecnologias”: a aprendizagem deve ser um processo prazeroso e, portanto, aprendemos aquilo que nos dá prazer antes das “outras coisas, mais chatas”. Daí a facilidade com o computador. Para quem não acredita na lógica Freireana, leia um pouquinho sobre neurociência da aprendizagem! Elas se complementam brilhantemente, apesar de Freire e a neurociência nunca terem se conhecido de fato.

Este artigo não está terminado mas, seguindo a filosofia SL (publica do jeito que está e depois vai melhorando) e que minha opinião é também resultado das minhas trocas, aqui está! Divirtam-se!

Bem vindo!

Finalmente! Aos poucos me livrando da dominação proprietária! Acabo de baixar o openshot, o que faltava para a minha completa realização na liberdade! Fora Movie Maker!

Chegando de POA mais velha (tive um aniversario TOTALMENTE GEEK!), feliz com o encontro do SLEducacional, deprimida por ainda saber que muita gente dentro do SL ainda pensa errado acerca dos professores e a tecnologia mas confiante pela fecundidade das ideias (tive um mega brainstorm!) e bastante satisfeita com os agradáveis momentos filosóficos regados a vinho.

Como ideias guardadas não valem nada, este espaço sera’ de disseminação (ou seria de semeadura?) dessas ideias porque o meu conhecimento e’ nosso!

Porque eu adoro a liberdade!

Espaço para a disseminação de ideias!